24 horas para escolher viver, reflexões sobre o suicídio

Uma história sobre suicídio, amor e depressão

24 horas para escolher viver, Alexia Macedo
24 horas para escolher viver, Alexia Macedo
Mesmo que a palavra depressão não apareça explicitamente, Catarina demonstra em vários momentos estar sofrendo com ela. Essa leitura foi bastante agradável, já que a maneira com que a autora Alexia Macedo escreve é ao mesmo tempo envolvente e imprevisível.

Fica claro todo trabalho que ela teve para construir os personagens e impedir que essa fosse só mais uma história genérica, porém sem perder a capacidade de fazer os personagens se comunicarem de maneira bem íntima com os leitores.

24 horas para escolher viver: Livro I



Sinopse: Há um ano, Catarina perdeu os seus pais e seu irmão em um acidente de carro, em que somente ela sobreviveu. Desde então, ela tem pensado todos os dias em desistir de viver, até que novamente no dia 24 de dezembro ela sofre outro acidente e conhece um policial que está destinado a passar as próximas 24 horas convencendo-a a escolher viver.

Catarina e o desejo de não estar mais aqui

Algo recorrente em Catarina, e em muitas pessoas que sofrem de ansiedade e depressão, é o desejo de não estar mais aqui, desejo de que a dor simplesmente pare. Infelizmente, nem todos temos uma pessoa como o André para tentar nos tirar do meio da escuridão.

Após eventos traumáticos e uma grande perda familiar a personagem simplesmente não consegue continuar vivendo, pelo menos é o que ela diz. No fundo, o que ela mais quer é continuar vivendo, porém quer se livrar de toda a dor que carrega em seu coração.

Eu sofro de ansiedade não sei exatamente desde quando e faço terapia há pouco mais de um ano, então consigo me conectar um pouco com Catarina. Em alguns momentos, mesmo com muitas coisas dando certo, ou tendo amigos incríveis, é como se você estivesse com um óculos cinzento, e não importa quão coloridas as coisas estejam, você não consegue enxergá-las.

O importante aqui é lembrar que você não é esse sentimento negativo e que isso vai passar em algum momento, por mais que nos momentos de crise você não consiga acreditar nisso. Fico me perguntando se essa obra tem algum caráter autobiográfico (eu apostaria um rim saudável que sim), quem sabe a autora não nos tire essa dúvida?

André, a pessoa certa no lugar certo

André, ao contrário de Catarina, demora a mostrar a dor que carrega, apesar de eu ter imaginado que ele tinha um motivo muito forte para lutar pela vida desde o primeiro momento. Toda pessoa que já esteve muito mal sabe o quanto uma pessoa por perto pode fazer a diferença.

Como o foco desse primeiro livro era a Catarina, senti falta de conhecer o André mais a fundo, e espero que possa fazer isso no próximo livro, que parece um pouco mais focado nele.

É engraçado dizer isso, mas eu me vi nos dois personagens, em momentos diferentes, quando tenho oscilações entre desacreditar da vida e ser a pessoa que tenta segurar o mundo dos outros.

O que não foi tão legal

Em todo o livro apenas duas coisas me incomodaram um pouco: a impressão de que a Catarina escolheu viver por ter se apaixonado e a passagem pela igreja.

Acredito muito que cada um deva seguir aquilo que preenche seu coração, porém não gosto de nenhuma associação entre crenças religiosas e transtornos como a depressão. Catarina havia perdido sua fé, e parece se reencontrar um pouco quando vai até a igreja. Por algum motivo, senti que essa parte foi um pouco forçada e deslocada.

Outra coisa foi o fato da nossa querida protagonista resolver viver, em partes, por ter se apaixonado. Claro que é incrível ter uma pessoa legal por perto, mas gerar uma dependência pode ser horrível.

Vale a pena ler 24 horas para escolher viver?

Tenho vários motivos para recomendar a leitura desse livro, já que é uma leitura fácil, rápida e que pode acrescentar para a sua vida. Considerando que a autora escreveu e diagramou o livro sozinha, a qualidade é impressionante, e vale cada centavo que você pagar no livro, ou na sua assinatura do Kindle Unlimited.

Nos tempos que vivemos é extremamente importante falarmos sobre temas como suicídio, depressão e ansiedade. Vou ler a segunda parte da história, e logo volto pra contar como foi a aventura.

Carinhosamente
Marcos Mariano

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