Charles Bukowski – Escrever para não enlouquecer

Charles Bukowski – Escrever para não enlouquecer
Charles Bukowski – Escrever para não enlouquecer
Talvez Charles Bukowski seja louco

Quando penso em Charles Bukowski e me lembro de todos os livros que já li para não enlouquecer, e também das vezes que escrevi para não enlouquecer, vejo que não há um título melhor para uma postagem com todos os livros desse velho safado que só pensava em mulheres e bebidas. 

Sendo Charles Bukowski meu escritor favorito (tá bom, o John Green também é legal), me vejo na obrigado de trazer aqui todas as suas obras, que eu ainda não acabei de ler, com algumas pequenas opiniões naquelas que eu já tive a oportunidade de me aventurar. 

Escrever para não enlouquecer – Charles Bukowski 

Temos aqui uma seleção de cartas interessantíssima para quem admira o autor e quer conhecer um pouco mais do seu íntimo com essas cartas originais. 

Sinopse: As cartas que mostram como Bukowski se tornou Bukowski Agora estou trabalhando numa fábrica de ferramentas – e bebendo. Mas continuei matutando. Onde estão aqueles contos e esquetes que mandei para ela em março de 1946? Ela está zangada? Isso é a vingança dela? Será que ela queimou as minhas coisas? Ela transformou as páginas em barquinhos de papel para a banheira? Ou será que Henry Miller dorme com elas embaixo de seu colchão? Não posso esperar mais. Se não receber resposta, terei minha resposta. (Trecho da carta de Charles Bukowski para Caresse Crosby, 9 de outubro de 1946) Editado por Abel Debritto, tradutor, editor e autor de Bukowski: King of the Underground, Escrever para não enlouquecer é uma espécie de autobiografia não autorizada. Contém cartas escritas e ilustradas pelo escritor entre 1945 e 1993, nas quais ele revela os bastidores de sua própria história. Nessa correspondência, originalmente destinada a amigos e editores, Bukowski relata fatos e frustrações do seu dia a dia, discorre acerca da arte de escrever e expõe suas opiniões (geralmente bombásticas) sobre autores célebres como Henry Miller, Faulkner e Hemingway – sempre se valendo do estilo irônico que o celebrizou. Repletas de observações inusitadas, fruto de uma sabedoria adquirida tanto nas ruas quanto nos livros, as espirituosas cartas do velho safado são uma leitura indispensável para qualquer fã. Acompanhe em primeira pessoa a trajetória de um dos grandes rebeldes da literatura. 

Misto-Quente – Charles Bukowski

Desde quando li O Apanhador no Campo de Centeio eu não tinha experimentado um sentimento tão forte lendo um livro. Misto-Quente me fez entender coisas da minha própria infância e muitas coisas sobre a vida, além é claro de entender melhor quem é o meu amado Bukowski. 

Como já dito em muitos lugares antes:
Se você não leu Misto-Quente, você não leu Bukowski. 
Sinopse: Para Henry Chinaski -protagonista desta obra-, o que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929 é ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão de obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas.

Tente não chorar ao terminar de ler esse livro e falhe miseravelmente. 


Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido 

Sinopse: “Cru, brutal, honesto Poetas desnudam-se. Desnudam suas tristezas, seus ideais, seus pensamentos sublimes. Mas poucos foram os ­poetas que se mostraram ao mundo como Charles Bukowski – que, mais do que “velho safado”, bêbado e jogador, escrevia destemidamente sobre o sujeito comum, repleto de defeitos. É o que você encontrará neste volume de poemas, publicado originalmente em 1986 e até hoje inédito no Brasil. Estão aqui sua infância nem um pouco invejável, sua relação com as mulheres, com a bebida e o jogo, sua identificação com felinos, suas angústias existenciais, seus devaneios de escritor marginal e um je ne sais quoi que o conecta ao fracasso e à sordidez que habitam o ser humano. Este livro é capaz de fazer rir, chorar, dar esperança e aumentar o desdém pela humanidade. Onde quer que esteja na sua vida, leitor, algum poema ecoará em você. A profundidade nunca foi tão simples e honesta quanto nos versos de Bukowski. meu pai tinha pequenos provérbios que ele compartilhava sobretudo durante as sessões de jantar; […] “quem não batalha come palha…” “o passarinho madrugador é o mais comedor…” […] eu não entendia direito para quem ele falava, e pessoalmente o considerava um brutamontes estúpido e demente mas minha mãe sempre intercalava nossas sessões com: “Henry, ouça o seu pai.” […] “Você é um vagabundo”, ele me dizia, “e será sempre um vagabundo!” e eu pensava, se ser um vagabundo é ser o oposto do que esse filho da puta é, então é isso que vou ser. e é uma pena ele ter morrido há tanto tempo pois agora não pode ver o quão magnificamente eu me dei bem nisso. (Trecho do poema minha ambição não ambiciosa)” 

Cartas na rua 

De todos os livros que li do Bukowski esse foi o mais tranquilo, talvez por isso eu acabei não escrevendo sobre. Ele narra basicamente a vida de Henry Chinaski, alter ego de Bukowski trabalhando nos correios.

É gostoso percorrer a vida desse personagem marginal e cheio de defeitos enquanto tenta sobreviver nos anos 1950. Cartas na rua é uma boa leitura para relaxar e também conhecer um pouco mais do nosso autor. 

O amor é um cão dos diabos 

Sinopse: Como a prosa, cada poema de BUKOWSKI, CHARLES corta como aço de navalha. Ele expõe as vísceras da realidade, revolve o cotidiano, e, de onde nem se pensa que sairá um poema, brotam versos de pura genialidade. Algo como um saxofone gemendo na noite fria. As ruas molhadas refletindo o brilho feérico do neon. Fantasmas da madrugada buscam um gole da bebida mais forte que encontrarem. Bares fechando, a luz amarelada, o odor acre de suor misturado com álcool e muito tabaco. Poucos souberam, como BUKOWSKI, CHARLES , arrancar versos de quartos sórdidos de hotel, becos imundos, mulheres de todas as formas, bocas vermelhas demais, madrugadas longas, solitárias. É o bepop dos marginalizados, dos perdedores, pensadores de sarjeta, filósofos encharcados de uísque vagabundo. 

Factotum

Factotum foi uma leitura agradável e um dos primeiros livros a ser resenhado aqui no Protótipo Literário. É muito provável que sem o envolvimento que eu tive com Bukowski no final do ano passado esse blog literário nunca teria surgido. 

Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, Henry Chinaski é considerado ‘inapto para o serviço militar’ e não consegue entrar para o exército. Assim, enquanto os Estados Unidos se unem em torno da guerra e os homens alistados são vistos como heróis, Chinaski, sem emprego, sem profissão nem perspectiva, cruza o país, arranjando bicos e trampos, fazendo de tudo um pouco, na tentativa de subsistir com empregos que não se interponham entre ele e seu grande amor – escrever. Em meio a tragos, perambulações por ruas marginais, tentativas de ser publicado, vivendo da mão para a boca, o autor iniciante Henry Chinaski come o pão que o diabo amassou. 

Crônica de um amor louco 

Sinopse: Crônica de um amor louco‘ é o primeiro dos dois volumes da obra ‘Ereções, ejaculações e exibicionismos’, do escritor Charles Bukowski (1920-1994). Uma jornada pelo universo infernal e onírico do velho e safado Buk – seus personagens desvalidos, seus quartos imundos em hotéis baratos, seus bares enfumaçados na longa louca noite de neon – o sonho americano reduzido a trapos nas ruas desertas da madrugada voraz de Los Angeles, a cidade que Bukowski amava acima de todas as coisas. Este primeiro volume leva o título do filme que o italiano Marco Ferreri realizou baseado nos textos de Bukowski e cuja linha mestra é exatamente o primeiro conto do livro, A mulher mais linda da cidade. Ao narrar a história de Cass, uma bela mestiça que passara a adolescência em um convento, Bukowski mergulha na excitação frenética, na insanidade corrosiva das noites mormacentas e manhãs de névoa poluída da sua amada Los Angeles. Os contos parecem brotar do seu estômago ulcerado, são jogados ao papel entre espasmos de delirium tremens e fantasias alcoólicas disformes. Perto dessas histórias rudes e ríspidas, os contos de outros autores parecem narrativas de colegiais, que nada têm a ver com o mundo da maquinaria, com esse gigantesco cemitério de automóveis que nos envolve e sufoca. Mas ao mesmo tempo Bukowski é lírico. Seus contos terminam bruscamente, mas deixam suspensa no ar uma sensação de dignidade e esperança na raça humana. 

Mulheres 

Mulheres foi o primeiro livro de Bukowski que eu li, e apesar de dar pra abrir para muitas discussões aqui, eu gostei bastante, e foi o que me fez ler mais coisas do autor. A linguagem simples, os personagens marginais, os detalhes as vezes até exagerados, tudo isso faz essa obra ser apaixonante. 

Sinopse: Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhuma mulher.? Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de música clássica, alter ego de Charles Bukowski e protagonista de Mulheres. Mas este não é um livro convencional, nem poderia ser, em se tratando de Bukowski, no qual um homem está à procura de seu verdadeiro amor.Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia, e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres, o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à margem. Escrevendo em prosa, Bukowski poetisa a dureza da vida e nos dá uma pista: ficção é a vida melhorada. 

Pulp 

A saga de Nick Belane poderia até ser igual a de tantos outros detetives de segunda categoria que perambulam pelas largas ruas de Los Angeles. Mas aqui, mulheres inacreditáveis cruzam pernas compridas e falam aos sussurros, principalmente uma que atende pelo nome de Dona Morte.

Tenho uma vaga lembrança desse livro na cabeceira da cama de uma amiga, alguns anos atrás, na época eu não fiquei curioso, porém agora estou bastante. 

Hollywood 

Hollywood’ foi escrito a partir da experiência de Bukowski ao fazer o argumento para o filme Barfly (direção de Barbet Schroeder, com Mickey Rourke e Faye Dunaway), onde ele narra a história de um escritor que ganha um bom dinheiro para escrever um roteiro para o cinema. Alguns de seus diálogos são memoráveis e a violência de sua linguagem geralmente oculta uma indisfarçável ternura pelos perdedores e excluídos. 

Talvez esse velho saiba algo sobre a vida 

Deixo vocês com todas essas obras de Charles Bukowski e os links para os livros já resenhados aqui no blog, espero que algum desses encante vocês assim como me encantou.

Carinhosamente 
Marcos Mariano

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