5 Indicações de livros para quem quer gostar de ler

Desenvolvendo o gosto pela leitura

Que tal se tornar um leitor?
Que tal se tornar um leitor?

Adquirir o gosto pela leitura é um grande desafio para muita gente, ouço o tempo todo pessoas dizendo que queriam de gostar de ler, mas acham chato, difícil e cansativo. O grande problema na minha opinião é que, temos por cultura o hábito de taxar os livros como objetos quase sagrados de erudição e fonte de sabedoria.

Vejo o tempo todo pessoas “que mais se acham, do que realmente são” cultas e estudiosas dizerem o tempo todo coisas do tipo “ Ah, eu sou enciclopedista mesmo… Só leio história e biografias”, e sempre me pergunto se essa pessoa nunca se diverte, nunca faz nada para se distrair. Pois bem, essas mesmas pessoas atacam a Netflix em busca de filmes e séries, e se deliciam com histórias de ficção até mesmo cheios de dragões e outras doideiras .

O problema é sempre o mesmo, o culto ao papel impresso, a ideia besta de que o livro não pode ser fonte de lazer e distração, e isso começa já na escola, onde nos empurram goela abaixo os clássicos brasileiros, estendendo assim nosso preconceito à literatura brasileira, como se toda a nossa literatura fosse resumida aos clássicos que sofremos para ler no ensino médio, e dessa forma as pessoas seguem torcendo o nariz quando indico um livro de autoria nacional.

Vamos então tentar desenrolar essa história, para o bem daqueles que tentam e não conseguem adquirir o delicioso hábito da leitura. Vou indicar aqui algumas coleções e títulos que penso eu, ajudarão um pouco nessa busca.

1) Coleção “Para Gostar de Ler”

Para gostar de ler
Para gostar de ler

Essa é uma grande coleção, em tamanho e qualidade. Editada nos anos de 1970/1980 tem 46 volumes de crônicas, contos e poesias. Os livros são pequenos e facilmente encontrados em sebos por valores bem baixos “eu costumo comprar por R$10,00, R$15,00 e já adquiri alguns por R$5,00”. A grande maioria dos volumes reúnem autores nacionais, o que é ótimo para quebrarmos ao mesmo tempo dois tabus, o da dificuldade da leitura e o da chatice da leitura nacional. Pessoalmente gosto mais dos primeiros volumes, recheados de crônicas e contos do dia-a-dia, escritos por grandes nomes como Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade. Cada história é uma pequena pérola de diversão sem compromisso e duvido não alegrar o dia de alguém.

2) Série Vaga-lume


Série Vaga-Lume
Série Vaga-Lume

Essa para mim é épica, e acredito ter tido um papel fundamental na minha formação de leitora. Embora já tivesse o hábito de ler gibis e livrinhos infantis, ao chegar no ensino fundamental, o colégio no qual eu estudava exigia a leitura de um livro dessa coleção por mês e como cada série tinha uma indicação de título diferente, no final do ano letivo, não se sabia mais qual livro era de quem.

A minha linda coleção de escola toda velha, torta, amarelada e amassada de tanto ser lida, ainda está aqui comigo e desses não me desfaço, e ainda leio alguns de vez em quando.

A série vaga-lume também é extensa e ainda conta com uma bela coleção chamada Vaga-lume Júnior, trazendo livros voltados exclusivamente para o público infantil.

De 1973 a 2013 são 91 obras ao todo, sendo 69 na vaga-lume e 22 na vaga-lume Júnior.

Desde o seu lançamento, a série passou por quatro reformulações, mas a maioria dos livros ainda hoje tem a mesma ilustração de capa da já clássica primeira edição, o que para os “puristas” da série, eu por exemplo, chega a dar uma emoção, e seria um sonho realizado possuir a série completa na estante.

Vale lembrar que os títulos são exclusivamente de autores brasileiros.

E para os "adultinhos" um recado, não temam, a série não é composta apenas de livros juvenis, podem ir tranquilos no sebo caçar o seu, e se quiserem umas indicações sugiro:

Éramos seis (Maria José Dupré); Cem noites Tapuias (Ofélia Fontes e Narbal Fontes); Meninos sem Pátria (Luiz Puntel); Sozinha no Mundo (Marcos Rey); Tráfico de Anjos (Luiz Puntel) e O Desafio do Pantanal (Silvia Cintra Franco).

3) Claraboia de José Saramago

Claraboia
Claraboia

Ê trem… Agora a bonita vai querer que eu leia um clássico português… tava demorando.

Calma aí galera, eu sei que Saramago é um nome que dá um medinho, talvez por ser difícil, talvez por ser chato e eu meio que concordo, gostei muito do “Ensaio sobre a cegueira” e me apaixonei pela leitura de "Claraboia", mas confesso que não consegui passar desses, tentei “O homem duplicado” e “Memorial do convento”… Achei chato.

Claraboia em especial está nessa lista justamente pela facilidade e sutileza da obra.

O livro conta a história de pessoas que moram no mesmo prédio, mas nem tem muito contato entre si. A beleza da historia está na simplicidade de seus personagens comuns e mundanos, poderia até dizer pessoas medíocres, mas o autor foi muito feliz ao retratá-los e dar a cada um deles uma personalidade, uma história, emoções e questões pessoais distintas, fazendo com que em cada um, possamos identificar pelo menos uma pessoa que conhecemos.

Enfim, leitura fácil, dinâmica e muito prazerosa. Se joga!

4) Um lugar para Todos de Thrity Umrigar

Um lugar para todos
Um lugar para todos

Exatamente a mesma pegada de Claraboia, talvez eu esteja me repetindo, mas não tem como indicar um sem falar do outro.

Para não correr o risco de escrever exatamente o mesmo que escrevi na indicação anterior, vamos à descrição do Google Books:

“Um lugar para todos acompanha as trajetórias de um grupo de moradores de um bairro de classe média em Bombaim e a forma como sua vida é influenciada pelas mudanças ocorridas na cidade ao longo dos anos. Reunidos para o casamento de um dos residentes mais novos, os mais velhos revisitam as pessoas que eram quando jovens guiados por amores e ideais há muito deixados para trás.

Com sabedoria e compaixão, Thrity Umrigar nos apresenta os homens e as mulheres que cresceram juntos na antiga comunidade de Wadia Baug, como o homem que teve sua vida desintegrada pelo alcoolismo; a velha fofoqueira do bairro; o bem-sucedido advogado, considerado um exemplo para toda a vizinhança; e um comerciante de meia idade que luta para aceitar um casamento ruim e a percepção de que muitos dos seus sonhos jamais se realizarão. Um romance surpreendente a respeito de pessoas notáveis, ao mesmo tempo completamente únicas e tão parecidas com cada um de nós.”

5) Crônica de um vendedor de sangue de Yu Hua

Crônica de um vendedor de sangue de Yu Hua
Crônica de um vendedor de sangue de Yu Hua

Esse é um livro que dificilmente o leitor de primeiras viagens pegaria na prateleira. Primeiro porque é um livro chinês e o clichê nos faz pensar em kung fu e comida estranha. Mas nada disso meus caros, essa é a história de um pai de família humilde que não mede esforços para cuidar dos filhos, em uma realidade cruel e sem perspectivas. A leitura é dinâmica e emocionante e ainda por cima nos ensina um pouco sobre uma sociedade onde a vida é ainda mais difícil do que no nosso Brasilzão.

Bom, por enquanto é isso, fica aí a dica. Ao todo acabei de indicar mais de 100 opções para que você consiga apender a gostar de ler e espero que em ao menos um desses você encontre distração e faça uma leitura agradável.

Vanessa Paiva

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